sábado, 21 de abril de 2012

A Mulher Invisível

Esse mês fez um ano que me mudei para São Paulo. Foi uma mudança e tanto, como tantas outras pelas quais já passei na vida. Talvez a mais intensa até agora.

A cidade grande encanta. Pode-se ir a qualquer lugar, em qualquer dia e em qualquer horário. É a cidade das oportunidades para qualquer coisa. Trabalho, compras, festas, restaurantes, cinemas, museus, parques. Tudo para todos.

Mas é justamente ai que entra o grande lance de São Paulo. Você tem tudo e nada ao mesmo tempo. É a cidade da desilusão. Da solidão.

Foi aqui que entendi o verdadeiro significado do ditado “estar só em meio a multidão”. Você pega um metrô lotado e ninguém sequer levanta o olhar de seus celulares/tablets/jornais/revistas. Você pega um ônibus e não ouve uma palavra (exceto pelo pentelho que adora ouvir funk sem fone de ouvido).

São Paulo é a cidade dos invisíveis. Todo mundo se olha, mas ninguém se vê de verdade. No meu prédio são 10 apartamentos por andar e não conheço um vizinho sequer.

Ando na rua e me sinto a verdadeira mulher invisível. Quando digo bom dia a alguém me sinto um alien. Todos me olham como se eu fosse uma louca e que acabou de xingar a mãe de vadia. Todos tem muita pressa. Cada um por um motivo. E a vida segue, cada um no seu mundinho. E eu no meu.

Não é fácil, mas eu sabia que não seria. Gosto de desafios. Ainda sinto saudades de um tempo que já não volta. De coisas que não vivi, de pessoas que nunca tive e continuo perguntando como seria se o caminho fosse outro.

Mas a minha vida é esta agora e embora os sete parágrafos acima deem a entender que não estou feliz aqui, isso não é verdade. Sou feliz. Alguns dias mais. Outros menos. Como em todas as cidades em que morei até hoje.

O grande problema é essa vontade louca de ser feliz. Extremamente feliz. Até doer o maxilar de tanto sorrir. É essa felicidade inatingível, inalcançável, impossível. É estar triste, olhar pro lado, ver tristeza pior que a sua e ficar ainda pior por se sentir triste quando o outro tem muito mais motivo para ser triste.

Mas passa. E o dia mais feliz chega. Ninguém me vê, não vejo ninguém e a vida segue. Ainda não sei se esse é o caminho certo, mas é o que tenho pra seguir. Até que a próxima bifurcação apareça e eu deixe de ser tão invisível para mim mesma...


domingo, 25 de março de 2012

Querida eu de 60 anos

Olá, Hélia. Tudo bem? Bom, se você chegou até aqui e está lendo esse texto sua vista já não deve estar lá essas coisas, a ortografia já deve ter feito mais mudanças e as gírias devem ser outras. Afinal, aos 60 anos as coisas podem ser completamente diferentes do que já foram um dia. Então vou tentar escrever da maneira mais clara e conservadora, dentro do possível.

No dia que você escreveu esse texto estava completando 30 anos. Você estava trabalhando como assessora de imprensa da saúde do Estado, morava com um amiga num apê bacaninha na Vila Madalena em SP, gostava de festas e amava sua família e amigos.

Levava uma vida legal, embora reclamasse muito de tudo. Sabia que era privilegiada em muitos sentidos, mas se sentia a vítima da sociedade em várias outras questões. Você não fumava há três anos, um mês e 10 dias. Bebia dia sim, outro também. Já sofria com insônia e lutava contra a balança.

Era uma mulher solteira, sem filhos, com três sobrinhas lindas e com 98% das amigas e primas já casadas e com filhos. Como recém-balzaquiana sentia a pressão para se encaixar nos padrões impostos pela sociedade e, por muitas vezes, por você mesma.

Estava sozinha, sem perspectivas de encontrar o verdadeiro amor, ter uma família de propaganda de margarina. Pior que isso, não tinha sua casa própria, nem carro, nem uma poupança polpuda. Não tinha visitado nem um terço dos lugares que gostaria ou conhecido as pessoas que precisava.

Muitas vezes se perguntava se era essa a vida que havia escolhido e outras tantas se essa teria sido a escolha certa. Desde pequena já tinha essa mania de se imaginar mais velha, de como a vida seria em 10 anos.

Aos 15 já imaginava como seria ter 25. Estaria casada, com um homem dos sonhos, com três filhos lindos, ganhando muito dinheiro como repórter de um grande jornal ou de uma revista famosa. Meus pais estariam esbanjando saúde, meus irmãos lindos, ricos e felizes com um monte de filhos e nossas vidas seriam sempre perfeitas.

Fué, fué, fué, fuéééééé. Bem-vinda a vida real.

Aos 17/18 anos eis que a vida real mostrou pela primeira vez sua cara. Do deslumbramento da faculdade de jornalismo e o meu desejo de mudar o mundo, com as palavras duras dos professores, nos aconselhando a desistir do ofício logo no primeiro ano.

Teimosa, como costumava ser, terminou o curso. Escreveu um livro junto com duas amigas e se jogou nas redações. Foi muito feliz enquanto durou. Pobre, mas feliz. Será que você ainda é tão brava como já foi um dia?

Você era muito brava até os 30 anos. E era sempre lembrada por essa característica. Por vezes, positivamente, outras vezes nem tanto. Você era explosiva e impulsiva, mas também era extremamente responsável e afetuosa com quem julgava merecedor.

Durantes esses 30 anos, Hélia, você namorou muito, se apaixonou por vários, amou poucos. Sofreu muito. Chorou de alegria outras tantas vezes. Viveu.

E de Quase 30, chegou lá. Quando escreveu esse texto, aos 30 anos, você tinha muitos sonhos, Hélia. Você queria, por exemplo, que seus pais vivessem para sempre. Que sua família estivesse sempre bem, unida e feliz.

Você queria chegar aos 60 anos tendo conhecido a Itália, a França, a Inglaterra e o Havaí. Também queria ter ido muito ao Sul do Brasil, as lindas praias do Nordeste e se embrenhado pelo Distrito Federal.

Aos 30 anos você já havia aceitado que não poderia mais salvar o mundo, mas desejava chegar aos 60 fazendo alguma diferença para sua existência. Entre os seus principais sonhos aos 30 anos, Hélia, era escrever um livro. Um romance ou drama, com uma pitada de humor sarcástico, causos do dia-a-dia e que pudesse se tornar um Best seller!

Você também queria ter uma casa bem bonita. Toda branca. Uma cozinha linda, toda branca também, com uma pia grande e boas panelas onde gostaria de cozinhar de vez enquando para sua família e amigos. Com um jardim cheio de girassóis, uma piscina não muito grande, uma área para churrasco.

Sim, você sonhava também, embora escondida, com uma família de comercial de margarina. Um marido bacana, dois ou três filhos lindos, todos felizes e vivendo em harmonia.

Será que aos 60 anos você já se aposentou? Se já, lembre-se que seu sonho era abrir uma livraria, de dois andares, com um café na parte de baixo. Passar o resto de sua vida em meio aos livros era mais que uma vontade, sempre foi seu verdadeiro objetivo, espero que tenha conquistado isso.

Se ainda não conquistou tudo isso, levanta já a bunda dessa cadeira e vá a luta. Em seus 30 primeiros anos de vida você sempre foi corajosa e determinada. Não me decepcione depois de velha.

Espero de todo coração que nossa vida tenha valido a pena e que esses 30 anos que desconhecia ao escrever esse texto tenham sido os melhores em todos os sentidos. Que as fases ruins tenham acabado mais rapidamente. Que as dores tenham passado, as feridas cicatrizadas e que a maturidade tenha nos trazido mais paciência e sabedoria.

Por fim, parabéns por ter chegado até aqui. Aos 30 anos você não acreditava muito que viveria tanto. Então que os próximos 30 anos sejam especiais para nós!

Ah, só mais uma curiosidade, será que nesses 30 anos o Corinthians foi campeão da Libertadores?!?!? Espero que sim e que você tenha assistido isso bem de pertinho!!!

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Cozinha Maravilhosa da "Hélia"

Não é novidade para a maioria o meu (bom) gosto pela culinária. Amo cozinhar, adoro inventar receitas novas, testar novos temperos e servir as delícias para os amigos.
Bom, vou aproveitar essa paixão para mostrar um pouco das minhas receitas para vocês. Mas já adianto que isso não vai ser frequente. Assim como escrever, não gosto de cozinhar por obrigação. Só quando sinto vontade e estou inspirada. São receitas simples, para quem, como eu mora sozinha e não tem muito tempo e/ou paciência.

A primeira receita que vou mostrar é uma das minhas preferidas: risoto de palmito com tomate cereja. Essa mistura fica ainda mais perfeita com queijo parmesão e acompanhada de um belo vinho.

Ingredientes

1 xícara de arroz arbóreo;

1 cebola picada;

2 colheres de sopa de manteiga;

½ taça de vinho branco a seu gosto;

2 dentes de alhos amassados e picados;

100g de queijo parmesão ralado grosso;

10 tomates cereja cortados ao meio;

1 vidro de palmito cortado em rodelas;

2 caldos de legumes dissolvido em 1,5 litros de água.

Sal a gosto

Modo de Preparo: Ferver 1,5 litros de água com o caldo de legumes. Reserve quente para o preparo do risoto. Refogue a cebola e o alho na manteiga até que fiquem transparentes, depois acrescente o arroz arbóreo e deixe dourar. Acrescente o vinho branco e deixe cozinhar até evaporar. Vá adicionando duas conchas por vez do caldo de legumes, esperando o caldo reduzir e mexendo sempre. Assim que o arroz estiver no ponto de risoto (molhadinho e não muito mole), junte o palmito, a manteiga e o parmesão. Misture bem. Em seguida, acrescente o tomate cereja! Servir imediatamente... Fica muiiiiiiiiiiiiito bom! espero que gostem!




Para acompanhar o risoto fiz um frango colorido, que nada mais é que frango em cubinhos com pimentões verde, amarelo e vermelho.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Sai dai mosca! Peraí, vou tirar as teias de aranha antes de começar.
Caramba, nem um postizinho em 2012!!!
Tudo culpa do Facebook e de São Paulo. Agora os desabafos e doideras que passam na minha cabeça precisam ser rápidos e curtos.
Mas, abrindo os trabalhos desse anos, não vou escrever (ainda) sobre nada.
Só quero deixar registrado que vou ao show do Chico Buarque daqui a uma semana e estou muito feliz!!!!
Por isso posto o vídeo da minha preferida, já que sei que ele não vai mesmo tocá-la no show:

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Que venha 2012!

Hoje é o último dia de 2011 e chegou a hora de avaliar tudo o que rolou na minha vida nesse ano. Mais uma vez optei por não fazer listas, já que nunca cumpro metade dela mesmo.


Prefiro fazer uma revisão de tudo que fiz, por tudo que passei e assim tentar aprender com erros e não repeti-los em 2012.

Em 2011 muitas coisas mudaram... Sem dúvida é um ano que vai ficar eternamente marcado na minha vida. Foi neste ano que realizei um dos meus maiores objetivos de vida: vir para São Paulo, ter um trabalho bacana, conseguir viver nessa cidade louca, conhecer gente nova e ter outras perspectivas das coisas.

Em alguns momentos, depois de ter conquistado tudo isso, confesso que me perguntei (como diria Raul) “agora que consegui, e daí?”. Foram meses de sofrimento, mas também de muito aprendizado. E hoje posso dizer que fiz a coisa certa, tanto pessoal como profissionalmente.

Aprender a ser assessora de imprensa trouxe um crescimento incrível para minha vida como jornalista. Ainda estou engatinhando nesse ofício, mas tenho certeza que as coisas só vão melhorar.

Conhecer meus amigos de trabalho foi essencial para conseguir vencer os obstáculos que apareceram nesse tempo. Agradeço a cada um deles por tudo, essa história não seria a mesma sem eles.

Em 2011 também foi o ano em que me apaixonei novamente, verdadeiramente e intensamente. E ainda foi o ano que relembrei que ninguém morre por amor, nem por excesso ou por falta dele. Tudo pode ser válido, até mesmo a perda.

Foi também o ano em que descobri como é bom ser corintiana e que assistir aos jogos Corinthians no estádio é simplesmente maravilhoso. Uma energia que nunca tinha sentido antes. Entendi o motivo de tanta paixão e fanatismo em relação ao futebol. Que venha a Libertadores! Aqui é CORINTHIANS!!!

Este ano foi também o dos bebês. Não estou falando do “Hoje é dia de rock, bebê”!! São dos bebês de verdade mesmo!! Nunca vi tantas grávidas como agora. Minha terceira sobrinha, linda Sofia, está a caminho. Assim como o sobrinho postiço Cauã que chega logo em seguida. É uma nova geração que surge e que vai comandar tudo no futuro.

Resumindo, 2011 foi um ano de dor e amor, de perdas e ganhos, de ignorância e aprendizado, de inícios e fins e, principalmente, de renovação.

Agora chega um novo ano. E com ele novas expectativas, esperanças renovadas e força, muita força para enfrentar tudo novo de novo! Só peço saúde, amor, paz, harmonia e prosperidade para toda minha família, meus amigos e, claro, para mim também!!!

Obrigada por tudo e todos que fizeram parte dessa trajetória de 2011 e espero que vocês continuem a me acompanhar nessa estrada da vida em 2012 e em muitos outros que ainda virão!!